domingo, 16 de setembro de 2012

A Monsanto Mata

Na próxima segunda-feira, dia 17, uma onda de manifestações vai se espalhar por vários países do globo para dizer um sonoro ‘não’ aos produtos da transnacional estadunidense Monsanto, maior produtora de transgênicos do mundo. A ação está sendo organizada pelo Movimento Ocupa Monsanto e tem como principal intenção fazer com que os organismos geneticamente modificados (OGM) "voltem para os laboratórios”. A ação principal vai acontecer na cidade de San Luis, em Missouri, nos Estados Unidos, onde está localizada a sede da Monsanto.
"Quer você goste ou não, as chances são grandes de a Monsanto ter contaminado com produtos químicos e organismos geneticamente modificados a comida que você comeu hoje. Monsanto controla grande parte do suprimento mundial de alimentos à custa da democracia no mundo de alimentos”, alerta o Movimento Ocupa Monsanto, chamando a população mundial a se capacitar e tomar atitudes contra a transnacional dos transgênicos.
As manifestações começam no dia do aniversário do movimento social Ocupa Wall Street, que nasceu ano passado, nos Estados Unidos, para se contrapor ao modelo político - econômico dominante. Até o momento, mais de 65 atividades já estão confirmadas em países como Alemanha, Canadá, EUA, Índia, Paraguai, Filipinas, Polônia, Argentina, Austrália, Espanha, Rússia, Japão, entre outros.
Em Oxnard, na Califórnia, as manifestações já começaram. Na quarta-feira (12), ativistas que se autodenominavam da Unidade de Crimes Genéticos fecharam os pontos de acesso às instalações onde estão guardadas sementes da Monsanto para serem distribuídas. A ação fez com que a sede da transnacional passasse ao menos um dia sem distribuir os organismos geneticamente modificados.
Depois das atividades teatrais e da apresentação de alegorias como o "peixe-milho” nove ativistas ‘anti-OGM’ foram levados/as pelas forças de segurança e presos sob a acusação de invasão de propriedade.
No mês de março, foi organizado o Dia de Ação Global para introduzir a realização da mobilização maior, que vai acontecer na próxima segunda-feira. Na ocasião, foram realizadas ações de repúdio à Monsanto em países da Áfricam da Europa, da Ásia e em quase todos da América Latina. Cada organização/movimento/coletivo preparou uma atividade que durou até dois dias para chamar atenção e pedir a retirada dos produtos da Monsanto do Mercado.
Dia 17, também é importante que grupos, organizações, coletivos e comunidades possam colaborar organizando atividades presenciais ou mesmo virtuais, criando eventos nas redes sociais e publicando fotos e vídeos para lembrar que o momento que os produtos da Monsanto não são bem vindos na mesa de milhares de pessoas.
Monsanto
A transnacional produz 90% dos transgênicos consumidos e é líder no mercado de sementes. Seu nome está constantemente ligado a polêmicas quando o assunto é organismos geneticamente modificados.
A empresa é acusada de biopirataria, contrabando de sementes, manipulação de dados científicos e de ser responsável pelo suicídio de agricultores indianos, que se endividaram por conta dos altos custos de sementes transgênicas e de insumos químicos necessários às plantações de transgênicos, entre outros crimes. Por isso, há hoje em diversos países campanhas organizadas e permanentes contra a atuação da Monsanto e que rechaçam aos seus produtos.
Para mais informações, acesse: http://occupy-monsanto.com/

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Bispos referenciais debatem o rumo da evangelização com a juventude .

bisposbrasilia2012Em setembro de 2013, após a Jornada Mundial da Juventude (JMJ), jovens e assessores das diferentes expressões que atuam junto à Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB estarão juntos em um encontro para dar o rumo à evangelização da juventude da Igreja no Brasil. A proposta foi decidida entre 15 dos 17 bispos referenciais da juventude nos 17 regionais, reunidos na última terça e quarta-feira (4 e 5) em Brasília. O encontro deverá ser na Capital Federal.
Segundo o presidente da comissão e bispo auxiliar de Campo Grande, dom Eduardo Pinheiro, esse evento vai amarrar propostas concretas para dinamizar a pastoral juvenil nas dioceses.
Os bispos regionais já estão levantando sugestões para se trabalhar o caminho de evangelização após a jornada. “A ação evangelizadora da juventude é a grande meta da JMJ em um país. Já estamos vivendo essa meta com a peregrinação da Cruz e do Ícone nas dioceses, que desafia a ação para novas posturas”, disse dom Eduardo Pinheiro. A pesquisa dos bispos deve continuar com um questionário para todas as dioceses.
Metas
Além desse encontro, outras metas para 2013 traçadas pela Comissão Episcopal, que são: Implementar o projeto de revitalização da Pastoral Juvenil; aprofundar e vivenciar a Campanha da Fraternidade 2013; aprofundar o Documento 85 e o Documento Civilização do Amor e continuar acompanhando a organização do Setor Juventude na instância diocesana.
O bispo de Caxias (MA), referencial para a juventude do Regional Nordeste 5 da CNBB (Maranhão) e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, dom Vilson Basso, lembrou que a Igreja no Brasil sempre esteve ligada ao trabalho com a juventude na dimensão latino-americana. ”Desde Medelín e Puebla, o Brasil tem participado de todos os encontros latino-americanos de pastoral juvenil, dos congressos e outros eventos. A Igreja no Brasil tem trabalhado junto com o Conselho Episcopal Latino-americano (Celam) nesse serviço bonito”.
Durante a reunião, foi feita uma retrospectiva da caminhada da atual Coordenação Nacional de Pastoral Juvenil, em particular sobre a sua comunhão com as atividades e projetos do Cone Sul e da Pastoral Juvenil Latino-americana.
Semana Missionária
A preparação para a Semana Missionária, atividade em todas as dioceses que antecederá a Jornada Mundial da Juventude, e os subsídios elaborados em preparação para esse momento e para o Dia Nacional da Juventude foram apresentados pelos bispos.
Segundo o assessor da Comissão, padre Antônio Ramos do Prado, a reunião foi uma das mais produtivas por aprofundar o projeto da identidade da pastoral juvenil. De acordo com ele, a peregrinação da Cruz e o Bote Fé têm ajudado gerar unidade na juventude e a aproximação do clero.

Comunidades de todo o país participam do Grito dos Excluídos 2012

Comunidades de todo o país participam do Grito dos Excluídos 2012
O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular carregada de simbolismo. É um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos.
Trata-se de uma mobilização dos movimentos sociais, com o apoio da Igreja no Brasil, que visa denunciar o modelo político e econômico que, ao mesmo tempo, concentra riqueza e renda e condena milhões de pessoas à exclusão social.
A manifestação deseja tornar público, nas ruas do país, o rosto desfigurado dos grupos excluídos, vítimas do desemprego, da miséria e da fome, além de propor caminhos alternativos ao modelo econômico neoliberal, de forma a desenvolver uma política de inclusão social, com a participação ampla de todos os cidadãos.
O Grito se define como um conjunto de manifestações realizadas no Dia da Pátria, 7 de setembro, tentando chamar à atenção da sociedade para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira. Não é um movimento nem uma campanha, mas um espaço de participação livre e popular, em que os próprios excluídos, junto com os movimentos e entidades que os defendem, trazem à luz o protesto oculto nos esconderijos da sociedade e, ao mesmo tempo, o anseio por mudanças.
As atividades são as mais variadas: atos públicos, romarias, celebrações especiais, seminários e cursos de reflexão, blocos na rua, caminhadas, teatro, música, dança, feiras de economia solidária, acampamentos – e se estendem por todo o território nacional.
Em 2012, o tema do Grito é “Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!”, em sintonia com a 5ª Semana Social Brasileira

domingo, 9 de setembro de 2012

O Brasil que queremos

O Brasil que queremos
O final de agosto nos leva, direto, para a Semana da Pátria. Será sempre importante cultivar nossa identidade de brasileiros, a partir da esplêndida realidade com que fomos agraciados pela natureza e pela história. Pois a Pátria não é só o que a natureza nos regala em sua generosidade. A Pátria é também o fazemos dela.
Aí começa nosso desafio. Que Pátria queremos construir. Esta questão vai tomando mais consistência, na medida em que nos damos conta das diversas dimensões de nossa vida que precisam ser assumidas, definidas e trabalhadas.
Tempos atrás, no processo das “Semanas Sociais Brasileiras”, que agora está sendo retomado com vigor, chegamos a definir um sonho de Brasil que gostaríamos de ver realizado.
Foi então que aos poucos foram sendo alinhados diversos adjetivos para desenhar “O Brasil que a gente quer”, “O Brasil que nós queremos”.
A série começava pela dimensão política. E de fato, a política é imprescindível para a definição da convivência entre cidadãos duma mesma Pátria. Contanto que a política seja exercida democraticamente. Assim se firmava a primeira referência da Pátria que sonhamos. Queremos um Brasil “politicamente democrático”.
Em seguida, pelas inúmeras implicações da economia na vida dos cidadãos, se defendia com firmeza que o Brasil precisava ser “economicamente justo”. Como a economia é tão complexa na sua dinâmica, todos se davam conta que esta dimensão precisa ser assumida com critérios políticos e com competência profissional. Não é espontaneamente que a economia de um país é justa. A economia não está imune a exigências de ordem política e social. Ela não está acima dos valores que compõem o sonho de uma Pátria onde todos se sentem acolhidos e podem participar com sua presença e seu trabalho.
Por isto, a seguinte dimensão se tornava imprescindível para ir desenhando um sonho viável e justo de Brasil. De modo que a ladainha dos valores prosseguia, dizendo que nós queremos um país “socialmente solidário”. Por mais que a economia contribua para que todos tenham os recursos para a sua vida, ela nunca resolve sozinha os problemas. A sociedade precisa se pensar e se organizar de maneira fraterna, tendo presente que o valor de cada pessoa humana não se mede em primeiro lugar por aquilo que produz, compra ou vende, mas cada um vale em primeiro lugar por aquilo que ele é. E isto postula uma sociedade solidária, onde os mais frágeis têm precedência no atendimento de suas necessidades, independente de sua participação na produção dos bens materiais e culturais. O mercado não esgota a economia, nem dispensa a solidariedade.
Assentados estes três pilares, da democracia, da justiça e da solidariedade, foram emergindo outras dimensões, que também precisam integrar nosso sonho de Brasil. Para formarmos uma Pátria de cidadãos livres, participativos, responsáveis, abertos à convivência, é preciso contar com outras referências, cuja importância foi aparecendo com clareza.
Somos um país continental, onde as regiões cumprem um papel decisivo. As regiões acabam proporcionando o contexto para a expressão de valores culturais diversificados, que enriquecem a Pátria e proporcionam novas oportunidades de fecunda convivência entre os cidadãos.
Assim, fomos nos dando conta que “o Brasil que nós queremos” precisa também ser “culturalmente plural, regionalmente diversificado, ecologicamente sustentável, e religiosamente ecumênico”.
São tantos os ingredientes de um projeto de Pátria. Percebemos a grande distância que existe entre a teoria e a prática, entre o sonho e a realidade.
Quem sabe, ao longo desta Semana da Pátria, renovemos o sonho do “Brasil que nós queremos”, para saber por onde começar sua implementação. Depois, conversaremos de novo.
por Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales (SP) e ex-presidente da Cáritas Brasileira

5ª Semana Social Brasileira e a Utopia Brasil

Por Pe. Nelito Dornelas*
A 5ª Semana Social Brasileira quer trazer para a pauta de debate das Pastorais Sociais, das Comunidades Eclesiais de Base, dos Movimentos Sociais e Sindicais, para o Movimento Ecumênico e do Dialogo Interreligioso, uma reflexão crítica sobre o Estado brasileiro, na comemoração dos 190 anos de independência do Brasil, nesta Semana da Pátria.
Escrevia, há 32 anos, o intelectual brasileiro Darcy Ribeiro, que nós, brasileiros, surgimos de um empreendimento colonial que não tinha nenhum propósito de fundar um povo. Queria tão somente gerar lucros empresariais exportáveis, com pródigo desgaste de gentes.
Não se pode dizer, talvez, de povo algum que, como nós, tenha sido feito – ainda que tão mal feito – à luz da inspiração de refazer o humano, como utopia. Nascemos desta aspiração suspirada. Nela vivemos e morremos todo dia, os mais de nós, sem jamais sermos o que quiséssemos.
A unidade nacional e cultural, admiráveis, se contrapõe aqui uma dilaceração classista tão funda como a das castas que separa e opõe os pobres aos ricos, como nem o racismo, nem a intolerância dividiram jamais a povo algum. Existindo juntos a elite e os párias, vivem apartados por um modus vivendi que mal deixa se verem uns aos outros. É como se vivessem em universos distintos .
O Estado brasileiro é a materialização desse projeto colonizador. E, diferentemente, das outras nações latino-americanas, nossa independência não se deu como resultado de um processo popular de enfrentamento ao colonizador. Todas as manifestações populares contra a colonização e contra a escravidão foram violentamente reprimidas.
É certo que o Brasil ganhou importância política na região, quando a Família Real veio para cá, expulsa pelas tropas de Napoleão, mas isso não nos trouxe a independência.
Conta-se que Dom João VI teria dito para Dom Pedro I: Pedro, apanha essa coroa e põe-na sobre tua cabeça, antes que algum aventureiro lance mão dela.
Aventureiro aqui são todos os movimentos libertários que lutavam e ainda lutam pela nossa independência.
Para tanto, é oportuno celebrar no dia da Pátria a memória de resistência desses “aventureiros”, que se fazem presentes ao longo de nossa história.
“Aventureiros” são os quilombos de Palmares com Zumbi, em Alagoas, e do Ambrósio, em Minas Gerais; a Cabanagem, no Pará, quando o povo tomou o palácio do governador e implantou um governo popular; o Caldeirão de Zé Lourenço, em Juazeiro, no Ceará; Pau de Colher e Canudos de Antônio Conselheiro na Bahia; a Batalha do Jenipapo, no Piauí; Contestado, em Santa Catarina; a Inconfidência Mineira com Tiradentes e os Conjurados; as Missões dos Sete Povos no Rio Grande do Sul; a Confederação dos Tamoios no Rio de Janeiro; a Confederação do Equador, liderada por Frei Caneca, em Pernambuco; a Coluna Prestes, de Luiz Carlos Prestes, o Cavaleiro da Esperança, que percorreu a pé, com seus soldados, 20 mil km no território brasileiro; a resistência do povo Botocudo, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais; a Revolução Constitucionalista, em São Paulo; as Diretas Já; a luta de resistência à ditadura; os movimentos dos trabalhadores rurais sem terra e todo o movimento camponês e em defesa da Reforma Agrária e das sementes crioulas; o Movimento dos atingidos por barragens; a construção do Sindicalismo classista e combativo; as Associações comunitárias e as Cooperativas de produção e venda; o Fórum da economia popular, solidária e sustentável; a Articulação do Semi Árido e a construção de 500 mil cisternas de captação de água de chuva; os povos das florestas; os pescadores artesanais; os povoas do Xingu e sua luta contra a construção da hidrelétrica de Belo Monte; os Movimentos Ecológicos e em defesa da vida do planeta e no planeta; o Movimento dos afetados pelas mudanças climáticas; os Movimentos de mulheres; a lideranças que se candidatam a cargos eletivos e repensam os partidos políticos e seus mandatos, colocando-os a serviço dos pobres; O movimento dos sem teto; a luta pela Ética na política e no Movimento de combate à corrupção e a defesa da Ficha limpa; a Comissão da Verdade; o Tribunal do Judiciário; o Movimento Fé e Política; a Assembleia Popular; as Pastorais Sociais; os Movimentos Sociais; os 600 mil indígenas que ainda preservam suas culturas, suas 170 línguas diferentes e lutam pela demarcação de seus territórios; a realização dos Intereclesiais de CEBs; o Congresso Camponês que reuniu mais de sete mil trabalhadores e trabalhadoras rurais em Brasília, em agosto de 2012; a realização da 5ª Semana Social Brasileira.
“Aventureiros” somos todos nós que carregamos a Utopia Brasil e ousamos gritar: queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!
*Articulador da 5ª Semana Social Brasileira
Assessor das Pastorais Sociais-CNBB
[1] De Darcy Ribeiro, julho de 1980, por ocasião da visita do Papa ao Brasil, in: O caminhar da Igreja com os oprimidos, de Leonardo Boff, Ed.Vozes, Petrópolis RJ

Grito dos Excluídos/as


Nesta sexta-feira (7), acontece a 18ª edição do Grito dos Excluídos e das Exluídas, sob o lema “Queremos um Estado a serviço da nação, que garanta direitos a toda população”. 
Organizações e movimentos sociais realizarão uma série de atividades em todo o país. “O Estado tem o dever de dar à população brasileira o acesso ao sistema de saúde, à educação, terra, trabalho, transporte, moradia e lazer. No entanto, isso acontece de forma precária e, em alguns casos, não ocorre”, denunciam o movimentos sociais.
Grito dos Excluídos e das Excluídas é uma manifestação popular dos trabalhadores e das trabalhadoras do campo e da cidade que acontece tradicionalmente na semana da Pátria. A concentração principal ocorrerá em Aparecida, interior de São Paulo, às 9h20, em frente à Basílica. No entanto, em todo o país devem ser realizadas mobilizações.